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Uma Escola com projecto e o Projecto de uma escola

Em Setembro de 1996 a Escola E B 1 e 2 de Marzovelos iniciou, pela primeira vez, as suas actividades enquanto escola e sede de um Território Educativo de Intervenção Prioritária, criado ao abrigo do Despacho n.º 147-B/ME/96, de 01/08 e do Despacho Conjunto n.º 73/SEAE/SEEI/96 DE 03/09.

Enquanto responsáveis por esta organização educativa, sempre tivemos, desde esse momento uma “ideia de escola” e uma “ideia” para a escola. Uma escola de tipologia 11T para 250 alunos, mas que começou logo com cerca de 400, número que ainda hoje mantém.

Recebemos a responsabilidade de gerir os seus destinos num misto de preocupação e de responsabilidade de instalar uma escola com estas características e acrescida a uma inovação de se constituir como TEIP. Desde o primeiro momento quisemos nós, e correspondendo ao desafio da própria Administração, fazer uma Organização Educativa com Projecto e com projectos que se articulassem no sentido de a colocar ao serviço dos alunos e da comunidade. Esse Projecto multifacetado incluía, até há pouco tempo, vectores fundamentais que nos têm norteado durante estes quase dez anos de existência, privilegiando: i) a função pedagógica de escola; ii) a função social de escola; iii) a articulação inter ciclos.

Assim, e através de um projecto integrado, criámos tempos e espaços de debate e reflexão em torno desta tríade de funções. Foi necessário, em primeiro lugar, cativar o corpo docente o que fizemos em conjunto através da participação de todos nos mais diversos órgãos de escola. Nos primeiros anos criámos uma equipa de avaliação e regulação interna responsável pelo desenvolvimento do Projecto de Escola que ia fazendo a regulação do processo. Fomentámos entre docentes um espírito de cooperação, de equipa de trabalho que reflectia sobre o trabalho desenvolvido e delineava estratégias para a sua continuidade aplicando as devidas correcções.

Incentivámos nos pais e encarregados de educação a participação e a assunção das responsabilidades que lhes estão conferidas na Organização Educativa, nomeadamente a criação imediata da Associação de Pais e a sua representatividade nos vários órgãos da escola.

Enquanto TEIP tínhamos uma responsabilidade acrescida no que respeita à função social da escola e procurámos construir um esquema sustentado no apoio aos alunos mais carenciados e/ou em risco de abandono e exclusão escolares. Para os alunos do 1.º ciclo, e apostando “escola a tempo inteiro”, criámos uma Equipa de Projecto de Apoios e Complementos Educativos (EPACE) que, por falta de recursos, terminou há dois anos e que prestou, desde a primeira hora, apoio a uma média de 90% dos alunos deste ciclo realizando com professores actividades de enriquecimento curricular, informática, expressões e sala de estudo, tudo em horário pós-escolar. Para o 2.º ciclo criámos e estamos ainda a melhorar, um Centro de Recursos Diversificados que presta apoio diário aos alunos do 2.º ciclo que o desejem, tendo uma média de ocupação elevada. Aí, e com professores, são acompanhados no seu estudo e na execução de actividades que terão de realizar fora da sala de aula. Entendemos que, com esta postura, colmataríamos um vazio de que hoje as sociedades modernas sofrem de apoio dos pais aos alunos nas tarefas escolares deixando-lhes algum tempo para, à noite, conversarem com os filhos e realizarem outras actividades não obrigatoriamente escolares e de que hoje as nossas famílias tanto carecem.

Como escola de 1.º e 2.º ciclos, considerámos que seria de aproveitar esta particularidade para todos aprenderem com todos, realizando um intercâmbio de saberes didácticos e pedagógicos dos docentes dos dois ciclos e, por outro lado, rentabilizando os recursos humanos disponíveis no sentido de proporcionar uma oferta educativa diversificada aos alunos. Assim, docentes do 2.º ciclo prestaram e prestam apoio aos alunos do 1.º ciclo nas áreas de Educação Musical, Língua Estrangeira e Expressões e professores do 1.º ciclo prestam apoio a alunos com dificuldades de aprendizagem nas áreas de Língua Portuguesa, Matemática e outras, o que julgamos fundamental para conseguir recuperar alguns dos alunos que de outro modo não teriam essa oportunidade.

Apostámos também em equipar a escola com materiais e equipamentos capazes de proporcionar novos e melhores métodos e estratégias de aprendizagem aos níveis de livro, áudio, vídeo, informático para as salas de aula e “construindo” uma biblioteca com diversidade e qualidade pedagógica. Hoje estamos mais satisfeitos pois, integrados na “Rede de Bibliotecas Escolares”, quase alcançámos os nossos objectivos a esse nível. Temos também as salas equipadas para dar resposta à maioria das situações de ensino aprendizagem que se colocam hoje como desafios à inovação pedagógica. Assim, professores e alunos têm agora todas as possibilidades de explorar uma diversidade de meios para desenvolver o seu trabalho, quer em situação de aula, quer fora dela.

Enquanto TEIP tivemos o privilégio de ser acompanhados durante três anos por uma equipa do Núcleo Regional do I.I.E. que se constituiu enquanto equipa de avaliação externa do projecto e que mensalmente vinha até nós, professores, alunos e escola e nos ajudava a descobrir novas pistas e métodos de trabalho e de organização de escola. Esta equipa foi um excepcional valor acrescentado pelo que nos “ensinou”. Com ela construímos também uma “equipa de pilotagem” – equipa de avaliação interna com docentes da escola, que criou em nós o hábito de avaliação interna do nosso trabalho e que lançou uma semente que hoje continua a desenvolver-se. Muito lhes devemos. Entretanto o TEIP foi alargado a um Jardim-de-Infância e posteriormente, a mais quatro Jardins de Infância e seis EB’s do 1.º CEB, tendo sido o embrião do Agrupamento de Escolas de Marzovelos que foi criado em 2002.
Como somos uma equipa que não se nega a desafios, ao sermos confrontados com o Projecto de Gestão Flexível do Currículo, pensámos algumas vezes e em reunião geral de professores aceitámos, por unanimidade, assumir o desafio de implementar a título experimental este Projecto em 1998, acompanhando mais 33 escolas nesta caminhada.

Hoje, podemos dizer que valeu a pena. Valeu porque fez “mexer” com a escola e com os seus profissionais. Foi uma “ideia”, “ a tal ideia de escola” que nós, já prospectivamente tínhamos vindo a construir. A verdade é que, se por mais não tivesse valido, valeu porque pôs os professores a pensar, a reflectir, a discutir. Preocupou-nos, e isso é bom, pois preocupados tornamo-nos mais responsáveis e alerta na busca de soluções. E foi o que fizemos. Além do desenvolvimento do Projecto, realizámos formação centrada na escola (três Círculos de Estudos) sobre o projecto e a avaliação interna do mesmo. Hoje, sete anos passados, estamos mais maduros e a Reorganização Curricular do Ensino Básico, embora ainda com dúvidas, já começou a fazer-se na verdadeira acepção da palavra.

Por fim, e em Setembro de 2002, constituímo-nos em Agrupamento Vertical do qual a escola sede é hoje escola com patrono, tendo mudado o seu nome de Escola Básica 1 e 2 de Marzovelos para Escola EB1e2 João de Barros.
Agrupamento com mais de mil e cinquenta alunos e mais de uma centena de professores, espalhados por 6 escolas do 1.º CEB, 5 Jardins-de-Infância e a escola sede. Está a ser difícil, pois nem todos estamos preparados para esta mudança, mas aos poucos pensamos ser capazes de vencer mais este desafio de construir, agora não só uma escola mas um Agrupamento com Projecto. Assim não nos falhem os apoios essenciais e que não estão nas nossas mãos, pois sem eles é impossível, e aqui tem a palavra a Administração Regional e Central.

Com mais de nove anos de trabalho nesta Organização aprendemos uma lição que é a de que só com trabalho colaborativo podemos construir uma Escola melhor, construir a autonomia que exige responsabilidade e criar a comunidade docente que tanto ambicionamos e a comunidade educativa que ainda só se vê plenamente nos normativos legais.

O Presidente do Conselho Executivo
Fernando Luís Monteiro Bexiga




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